Eu que quase me acostumo com conversas vazias, solidão ao
meio dia, ao ver as paisagens que passam muito rápido pela janela do ônibus
lotado, espero que em algum lugar, algum dia, ou apenas alguma coisa me faça
mudar de ideia em relação ao que se passa, ao que não fica.
Quem sabe algo que me faça seguir, assim, sem bagagem,
somente a cara, a coragem e o peso da armadura que me cobre o peito para
proteger algo que nem sei se ainda está inteiro. Ir para qualquer lugar, apenas
não voltar atrás, nem olhar pra trás, quem sabe encontrar alguém que assim como
eu segue sem saber para onde, e que queira me acompanhar.
Talvez eu nem precise mais do peso no peito, talvez, a
armadura que tanto me atrapalhava a correr se solte, quem sabe assim a guerra acabe e a proteção se torne sem sentido, quem sabe quando você queira vir comigo,
eu não esteja mais ferido, quem sabe um dia eu te encontro por ai.
Paulo Ribeiro
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