domingo, 31 de março de 2013

Talvez um dia


Eu que quase me acostumo com conversas vazias, solidão ao meio dia, ao ver as paisagens que passam muito rápido pela janela do ônibus lotado, espero que em algum lugar, algum dia, ou apenas alguma coisa me faça mudar de ideia em relação ao que se passa, ao que não fica.
Quem sabe algo que me faça seguir, assim, sem bagagem, somente a cara, a coragem e o peso da armadura que me cobre o peito para proteger algo que nem sei se ainda está inteiro. Ir para qualquer lugar, apenas não voltar atrás, nem olhar pra trás, quem sabe encontrar alguém que assim como eu segue sem saber para onde, e que queira me acompanhar.
Talvez eu nem precise mais do peso no peito, talvez, a armadura que tanto me atrapalhava a correr se solte, quem sabe assim a guerra acabe e a proteção se torne sem sentido, quem sabe quando você queira vir comigo, eu não esteja mais ferido, quem sabe um dia eu te encontro por ai.

Paulo Ribeiro

quarta-feira, 27 de março de 2013

Porque todo mundo conhece o fim

No final de tudo acho que todo mundo só tem medo de ficar sozinho, de acordar de manhã sem ter ninguém pra olhar ao abrir o olho, sem café da manhã em família, vivendo apenas com o silencio. No final todo mundo quer ouvir aquela voz dizendo coisas boas, dizendo que tudo pode dar certo, que tudo vai passar. 
Então você descobre que no fim tudo passa, o problema é que a vida passa (às vezes passa rápido demais) pra você conseguir ver isso, e o tempo não para, não passa mais rápido e não volta, por que ficar parado então? Se o mundo continua em movimento será que mesmo parado eu continuo andando?
No final todo mundo percebe que já foi feliz um dia, alguns ainda são, alguns nem sabem mais, mas você nunca sabe quando é o fim até que ele chegue, então ainda dá tempo, corre vai, vai ser feliz, esqueça esse relógio na parede dizendo que o tempo está acabando, esqueça essas correntes nos seus pés dizendo que você tem que ficar parado, só não se esqueça de lutar, de acreditar no que você sempre sonhou, porque isso que faz um final bonito, aquele final que mesmo sem você vê faz com que todos aplaudam de pé numa sala de cinema em frente a varias letras subindo em uma tela preta. Porque todo mundo procura alguém.

Paulo Ribeiro